Brasil campeão no xadrez e no futebol

Por Lindinor Larangeira*

 

Antes da virada espetacular do time canarinho, conquistando pela terceira vez a Copa das Confederações, na África do Sul, pouca gente ficou sabendo de outra grande conquista esportiva de nosso país.

 

No dia 27 de junho, véspera da decisão contra o surpreendente time norte-americano, outra seleção brasileira, essa integrada pelos Grandes Mestres Giovanni Vescovi, Alexandre Fier, Rafael Leitão, André Diamant e Darcy Lima e pelas jovens Juliana Terao e Vanessa Feliciano, conquistou de forma impecável a I Olimpíada do Mercosul de Xadrez, realizada em Mar del Plata, na Argentina.

 

Um feito inédito que merecia, pelos critérios jornalísticos, como ineditismo, atualidade e relevância, para citar apenas alguns, divulgação na imprensa nacional. Mas como no Brasil a mídia se move, não por critérios jornalísticos ou de interesse público, mas por interesses financeiros e empresariais, o mais antigo e nobre dos jogos permanece como um assunto de pouca ou nenhuma veiculação nos meios de comunicação.

 

Excetuando-se um excelente programa (Sportv Repórter) veiculado em um canal a cabo sobre a prática do xadrez, onde de tribos indígenas da Amazônia, até jogadores das categorias de base do tradicional Clube do Remo, de Belém do Pará, tiveram despertado o interesse para a prática do jogo/esporte/arte/ciência, e uma alentada entrevista com o novo Grande Mestre e campeão brasileiro, André Diamant, na revista Época, não há como lembrar notícia alguma sobre o xadrez brasileiro.

 

O feito dos meninos e meninas do Brasil é fabuloso porque sem nenhuma derrota em qualquer dos tabuleiros, a equipe somou 30 dos 36 pontos possíveis, ficando com cinco pontos e meio de vantagem sobre a Argentina A, vice-campeã. A campanha foi marcada pelas vitórias sobre Bolívia (4,5x1, 5), Argentina A (4x2), Uruguai (5x1), Peru (6x0), Chile (5,5x0, 5) e Argentina B (5x1).

 

O capitão da equipe, Darcy Lima declarou na cerimônia de premiação: “Temos jovens que estão progredindo e outros enxadristas que têm grande experiência para esse tipo de competição. A isto se somaram as mulheres, que demonstraram ter um grande nível frente a suas rivais com rating maior. Creio que tudo isso foi o que possibilitou o triunfo”.

 

Um exemplo concreto da importância da divulgação da mídia na difusão e popularização dos esportes tem no caso do vôlei um grande paradigma. Antes, um jogo de classe média, após a veiculação em massa pelos meios de comunicação se tornou o segundo esporte no coração dos brasileiros.

 

E por que não apresentar o xadrez, esse ilustre desconhecido da população brasileira ao grande público? Além de reconhecidamente ser uma ferramenta pedagógica eficaz, se utilizado nas escolas, tem a graça e os aspectos lúdicos de um jogo, a construção da disciplina de um esporte, a beleza das artes, e a profundidade da ciência. Tudo isso em apenas 64 casas e 32 peças.

 

* Lindinor Larangeira é jornalista (com e pró-diploma) e capivara convicto **

 

** Agradecimentos ao nosso colaborador...Mestre na arte de escrever...

 

 

Fotos da I Olimpíada de Xadrez Mercosul